Amor Entre Iguais


22/01/2005


Escrito por Cris às 11h41
[ ] [ envie esta mensagem ]

Explica-me os morangos. 

- Explica-me os morangos.
- Os morangos?

(Ele quer que eu lhe explique "os morangos"?)

- Os morangos não se explicam. Quando muito, podem descrever-se. Olha, o mesmo se passa com a saudade. Não se explica. Mas também não se compreende. E também não se descreve, porque cada um sente-a de forma diversa, mas única.

(...)

- Percebeste alguma coisa do que eu disse?

(...)

- Explica-me a saudade.

- Hum... Deixa ver...

(Porque é que ele só faz perguntas difíceis?)

- A saudade é um aperto no peito. É uma aridez. Quando sentes saudade sentes-te só.
- O que é estar só?
- É não ter ninguém com quem falar.
- Então o meu cão está só.
- O teu cão? Porquê?

(!)

- Porque não tem ninguém com quem falar.
- Mas os cães não falam, ladram.
- O meu cão fala. Só que eu não percebo o que ele diz porque não sei falar a língua dele. Quando for mais crescido vou para uma escola aprender. E tu, sabes falar com o meu cão?
- Receio bem que não. Mal consigo comunicar com os homens, quanto mais com os cães!
- Mas tu já és crescida. Não andaste na escola?
- Sim, andei.
- E não sabes falar com o cão?
- Na escola não se aprende língua de cão.
- Como é que sabes?
- Porque sei. Porque não há nenhuma disciplina com esse nome.
- Como é que sabes que não há nenhuma disciplina com esse nome?
- Sei porque quando eu andava a estudar não havia.
- Tens saudades? Da tua escola?
- Tenho... Muitas.
- E dos meninos?
- Dos meninos também. E dos professores, dos funcionários.
- Não os vês há muito tempo?
- Há imenso tempo. Tanto que já nem sei.
- Não te lembras?
- Não.

(...)

- Então, não me explicas a saudade?
- Explico.

(Explico?!)

- Mas tu disseste que a saudade não se explica.
- Pois disse. Mas vou tentar explicar. Não sei se vou conseguir.
- Ora tenta...
- Está bem. Olha, a saudade é como uma cova na areia. O vento faz covas na areia, não faz?

(Ele confirma que sim com a cabeça.)

- Pois é, mas quem faz a cova da saudade não é o vento, é o tempo. E depois quando nós estamos na praia vamos enchendo as covas de areia com água do mar, não é?

(Novo acentimento.)

- Ora bem... Quando te recordas de uma pessoa com saudade, também enches a cova da saudade, não de água, mas com memórias, compreendes?

(Olha-me atentamente, os olhitos esbugalhados, sorvendo cada palavra minha.)

- Só que por muita água que deites na cova de areia ela nunca fica cheia, pois não?
- Não, porque a água escorrega pelos grãos!
- Exactamente. Com a saudade, também é assim. Tentas não esquecer a pessoa, enchendo a cova com recordações, mas as recordações também se perdem por entre os grãos de tempo...
- E a cova da saudade nunca se enche.
- Pois não. A cova da saudade está sempre aberta, no teu coração. Nunca consegues enchê-la, nunca consegues fechá-la. É como que uma ferida aberta.

(...)

- Bem, espero que tenhas ficado com uma ideia do que é a saudade.
- Hum... Acho que fiquei. Mas posso fazer uma pergunta?
- Sim, claro.
- Porque é que em vez de enchermos a cova com água não enchemos com cimento? Assim o cimento não escorre pela areia e a cova fica fechada para sempre!

(Olhei-o nos olhos, com ternura.)

- Mas é claro que nós também fechamos covas de saudade com cimento! Fazemo-lo sempre que queremos selar uma parte da nossa vida, sempre que queremos colocar uma pedra sobre determinado facto da nossa existência, sobre a lembrança de certa pessoa... Fazemo-lo com grandes pazadas de cimento, energicamente, quanto mais depressa melhor. Nunca me tinha lembrado disso... Mas é totalmente verdade!

O Vasco, cinco anos, fez-me compreender o que é a saudade. Obrigou-me a dar explicações, a encontrar uma imagem, um vocabulário, fez-me teorizar.

Às vezes, é bom teorizar sobre as coisas que acontecem na nossa vida. Sabendo explicá-las, a nossa cabeça torna-se aliada do coração, porque deixa de ser só ele a sentir, para passar a ser ele - o coração - a sentir e ela - a cabeça - a entender.

Continuei a passear com o Vasco e com o cão. A manhã começou escura, mas lentamente o sol despontou e o final de tarde fez-se agradável, em tons de cor de laranja e lilás. As nuvens continuavam o seu percurso célere, graças ao vento...

- Não vamos ter com os meus pais?
- Sim, claro, vamos que já é tarde.
- Posso fazer só mais uma pergunta?
- Podes.
- Também tens uma cova, não tens?
- Uma cova?
- Sim, de saudade.
- Tenho...

(Bolas, será vidente?)

- Mas... mas... como sabes?
- Hum... é que pareces cansada. Deve ser por estares sempre a tentar enchê-la de água. Estás triste. É por não conseguires tapá-la, não é?
- É.

(Silêncio constrangedor.)

- Olha, deixa lá, não chores por causa disso. Se fechasses essa cova, o tempo ou o vento ou lá o que é abria outra, não era?
- Era, Vasco. O vento ou o tempo ou as pegadas dos outros, sei lá!.... Estão sempre a abrir covas no meu coração...
- Eu tenho um balde de brincar na praia. Se quiseres empresto-to para encheres com água.

Obrigada, Vasco. Obrigada por quereres ajudar-me. O teu pequeno balde será fundamental, bem como são os teus pequenos olhos atentos, brilhantes, geniais. Obrigada pela lição de hoje.

- Passeamos juntos o cão amanhã?

O Vasco abraça-me, dá-me um beijo rápido e desata a correr, ladeado pelo cão, em direcção ao pai.
 
Assinado: Mente Assumida][mente_assumida@iol.pt

Escrito por Cris às 11h26
[ ] [ envie esta mensagem ]

20/01/2005


"AMOR E FANTASIA"

 
Todos os seres humanos, buscam o amor. Crêem que este amor tem que vir de outra pessoa. Sonham, idealizam, que este amor virá um dia e o/a salvará de sua solidão.A nossa sociedade acostumou-se a procurar o amor fora. No outro. O outro tem que vir, e me amar.Espero a vida toda ser nutrido pelo outro." Ah, com o outro eu serei feliz !Procuramos uma pessoa que dê significado em nossas vidas e nos autorize o amor.O não ter esta pessoa, nos faz sofrer. Ficamos irritados, pequenos, sem valor, até chegamos a nos desprezar.
Sei de muitas pessoas que choram de solidão, como se pedissem colo à outra pessoa, ou do tipo pelo amor de Deus, me ame.Nossa cultura, de dependência, nos fez acreditar que a outra pessoa seria a nossa salvação.Interessante, é que quando temos esta pessoa, logo depois, ela já não nos serve, pois não nos nutre, como gostaríamos de sermos nutridos.
Queremos que o outro faça por nós, aquilo que apenas nós deveríamos fazer.Trocamos de parceiros, ou melhor, entramos na parceria por causa de nossas carências, e saímos dela, pela mesma carência não resolvida. De certa forma, isto nos prova, que ninguém completa a ausência que temos no coração.Afirmamos que ninguém completa, pois é uma das certezas que tenho depois de muita experiência profissional e de minha vida pessoal.Está ausência ou carência, só eu posso completá-la. É de minha responsabilidade me amar. Só eu posso me curar de minha solidão. E curo a minha solidão, aprendendo a ficar comigo.Ser importante para mim, eleger-me o primeiro em minha vida.Estamos num padrão social, tão desajustado, que a sociedade nos cobra uma parceria afetiva. Sentimo-nos deslocados, quando não temos uma relação afetiva acontecendo. E esta comparação, entre eu que não tenho e o outro que tem, inevitavelmente nos leva à solidão.
A solidão é um vício comportamental, é um estado da mente, de quem não consegue ficar consigo, de quem não consegue se amar.Nunca ninguém está só no universo. Se entender a estrutura dos 4 elementos, e a diversidade de dimensões, certamente perceberei que nunca estou só.Só que me acostumei ao padrão da queixa, do colo, do coitadinho, e receber a atenção do outro, é primordial. Preciso da atenção do outro, preciso ser nutrido pelo outro, pois não aprendi a me amar.É comum, que neste estado de solidão, venhamos a desenvolver, inúmeras fantasias afetivas.
Nos apaixonamos por diversas possibilidades que o outro nos apresenta. Todas movidas pelas nossas carências.Descobrimos uma infinidade de almas gêmeas, e curtimos grande esperança, até que aquela alma gêmea não corresponda nossa expectativa, e aí então, descobrimos nova alma gêmea. Conheço pessoas, que descobrem uma alma gêmea por mês.Outras, que se encantam com certas características pessoais do outro, e tecem uma rede de emoções, desejos, sonhos e principalmente fantasias, transformando sua energia afetiva, num grande e imenso amor Platônico, sem nunca se dar conta se estão sendo retribuídas, nesta mesma freqüência de energia.Nós todos somos seres eletromagnéticos. Vibramos freqüências energéticas o tempo todo, e creio que quando duas pessoas se amam, entram portanto na mesma freqüência, que virá proporcionar, no encontro dos corpos, a maravilhosa sensação de um perfeito orgasmo.Se por acaso, este é o teu caso, de um amor Platônico, ou não correspondido, lhe dou uma dica. Olhe se a outra pessoa, está na mesma sintonia que você. Se não estiver, não perca seu tempo.
Use seu tempo, ficando disponível para o seu verdadeiro amor, Aquele que corresponda às suas necessidades de troca. Não idealize, amor não é para ser idealizado, é para ser experenciado.Se o outro não está na tua freqüência, caia fora, este outro não te merece. Relação só é boa, quando ambos querem a mesma coisa. Quando estão na mesma sintonia. Se a sintonia só é sua, é carência, é fantasia de sua parte. Talvez é admiração de algo que o outro conquistou e você ainda não, ou o outro representa teu ideal como aspecto físico e comportamental.Mas o teu ideal, certamente pode não ser o ideal do outro. Portanto não sofra por amor. Apenas ame-se, apenas se dê uma chance de ser feliz, cuidando mais de você, e não ficando à mercê da atenção, e disponibilidade de ninguém.
Você é uma estrutura universal única. Ninguém é igual à você. Respeite-se, curta-se, permita-se, cuide-se, não é digno de sua parte, chorar ou lamentar pelo amor não correspondido, pois se olhar tua carência, e a ausência de amor por você, com toda certeza, mudará agora, este padrão,que só te faz sofrer, e que não resolverá tua questão afetiva.A solução de tua questão afetiva, está no teu coração. No amor por si. Ame-se e se curará da fantasia, de esperar amor do outro.

Escrito por Cris às 14h06
[ ] [ envie esta mensagem ]

Que saudades!

Oi gente, sei que eu sumi, mas assim que puder vou voltar aqui e postar mais tá? estou passando por uma fase difícil, mas tudo será resolvido, tenho certeza...fiquem com Deus...eu volto prometo...e continuem me mandando recados...

Escrito por Cris às 13h42
[ ] [ envie esta mensagem ]
Busca na Web:

Perfil

Meu perfil
BRASIL, Mulher, de 36 a 45 anos, Música, Informática e Internet, leitura